Antioxidantes

O papel dos antioxidantes


Saiba como os antioxidantes protegem as células funcionando como preventivos e/ou terapêuticos no combate ao stress oxidativo

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O termo antioxidante é utilizado para fazer referência a qualquer composto capaz de neutralizar espécies reativas de oxigénio, sem se converter num radical destrutivo. Para além dos sistemas enzimáticos com ação antioxidante, existem outros sistemas antioxidantes não enzimáticos.

Os principais antioxidantes não enzimáticos podem ser divididos em: vitaminas lipossolúveis (vitamina A, vitamina E); vitaminas hidrossolúveis (vitamina C); oligoelementos (zinco, cobre, selénio, manganês, etc.); compostos fenólicos (derivados de plantas, frutos e leguminosas).

Estes compostos têm diversas funções fisiológicas, mas aqui destacam-se pela sua atividade antioxidante. Presentes em praticamente todos os alimentos coloridos que ingerimos, sofrem o ataque dos radicais mais facilmente que as nossas células, tornando os radicais livres inofensivos.

A ação dos antioxidantes perante o radical livre é uma reação de oxidação-redução (redox), ou seja, reações de transferência de eletrões. A oxidação é um processo bioquímico de perda de eletrões associado a outro de captação denominado redução.

Os radicais tendem a reagir com qualquer composto que esteja próximo de modo a emparelharem o seu eletrão desemparelhado. O que distingue um antioxidante é a sua capacidade de “dar” eletrões, indo colmatar a necessidade dos radicais livres e, portanto, neutralizando-os. Desta forma, ao reagirem mais rápido do que as outras moléculas presentes, os agentes denominados antioxidantes impedem que outras moléculas se unam às espécies reativas de oxigénio.

A capacidade de tamponização de radicais livres de uma substância, ou potencial antioxidante, refere-se à sua capacidade ‘sequestrante’ de um dado radical. Normalmente, cerce de 95% do oxigénio advindo da respiração celular é neutralizado pela cadeia respiratória celular ao ser reduzido pelo citocromo oxidase, terminando o seu ciclo metabólico transformado em água. Contudo, os 5% restantes são transformados em radicais livres. Os quais, se não forem adequadamente combatidos e/ou se forem formados em excesso, podem vir a ser-nos prejudiciais.

Deste modo, o efeito dos antioxidantes pode ser considerado como preventivo relativamente ao mau funcionamento das nossas células. Mas o mais importante não é procurar nos rótulos dos produtos a menção de ingredientes antioxidantes.

É importante, para além de muitos outros hábitos de vida saudável mencionados e amplamente conhecidos, ter uma dieta equilibrada, essa mistura complexa de oxidantes e antioxidantes, que tem um grande impacto na nossa saúde e na nossa aparência.

Os suplementos alimentares

Os suplementos são fontes concentradas de nutrientes (vitaminas, minerais, extratos de plantas) que têm como objetivo complementar a dieta, quer seja porque a dieta que a pessoa faz carece de tais nutrientes ou simplesmente porque se considera que o reforço de tais nutrientes pode ter benefícios adicionais. Eventualmente, e dado que nem sempre logramos ter o estilo de vida e a dieta mais idónea, pode-se recorrer, sem excessos, a alguns suplementos alimentares.

Poder antioxidante

ao nosso dispor Os consumidores atuais são exigentes, procuram produtos de elevada qualidade, os quais minimizem os fenómenos de oxidação tanto durante a fase de processamento, como de armazenamento dos produtos. Para além disso, dão primazia a matérias-primas naturais que apresentem características antioxidantes.

Os antioxidantes têm desempenhado um papel fundamental ao garantirem que os produtos alimentares e a matéria gorda dos produtos cosméticos mantêm as suas características (cor, sabor, cheiro, textura), por mais tempo. Mas, para além disso, o seu uso atual tem em vista os efeitos que as substâncias antioxidantes podem ter se consumidas ou aplicadas topicamente.

Diversas substâncias antioxidantes exógenas, como vitaminas, minerais e extratos vegetais são usadas pela Cosmetologia nos produtos antienvelhecimento, hidratantes, fotoprotectores, etc., com vista a aproveitar o seu potencial efeito antioxidante quando aplicadas topicamente.

As formulações cosméticas de antioxidantes para uso tópico são algo instáveis. Porém, o constante desenvolvimento de sistemas de imobilização, como nanosferas e lipossomas, que permitem prolongar o tempo de vida das substâncias vem permitindo o uso mais eficaz de inúmeras substâncias ativas.


Conhecer os valores de stresse oxidativo permite adotar um estilo de vida e algumas medidas preventivas que favorecem a sua diminuição. É possível aumentar a capacidade de resistência do organismo face ao stresse oxidativo, ao adotar estilos de vida saudáveis, ao evitar locais poluídos e exposições excessivas ao sol e mantendo uma alimentação saudável.


Vitaminas em ação

Os antioxidantes tópicos não são fotoprotectores “per se” mas é frequente os produtos fotoprotectores combinarem na sua formulação ingredientes com propriedades antioxidantes como as vitaminas C e E. Vitaminas presentes na nossa pele e, desde há bastante tempo, também presentes nos cosméticos.


Minerais e oligoelementos nos cosméticos

O zinco, o selénio e outros oligoelementos são outros dos ingredientes comuns nos cosméticos, cuja ação pretende também ter efeito antisstresse oxidativo. Os níveis da nossa enzima superóxidodismutase, que neutraliza o radical livre de superóxido (O2–), diminuem com a exposição solar e os dois principais tipos desta enzima necessitam de zinco e cobre ou manganês.

Zinco
O zinco faz parte de muitas enzimas envolvidas nos processos metabólicos, sendo necessário para a absorção e atividade das vitaminas do grupo B, para a síntese dos ácidos nucleicos e para a produção de leucócitos. As propriedades antioxidantes do zinco devem- se ao seu papel na regulação da síntese da metalotionina, na estrutura da enzima superóxido dismutase e na proteção de agrupamentos sulfídricos de proteínas das membranas celulares por antagonismo com metais pró-oxidantes. O zinco é útil na reparação dos tecidos, na cicatrização de ferimentos, tendo ação sebo-reguladora e anti-inflamatória.

Cobre
O cobre é essencial para a utilização adequada do oxigénio pelas células. Faz parte da enzima superóxido dismutase; evita a oxidação dos lípidos quando unido à proteína ceruloplasmina; como cofator enzimático participa no metabolismo de formação da melanina; ajudar a neutralizar os radicais livres que afetam as articulações.

Manganês
O manganês bivalente é antioxidante e atribui-se participação na síntese do colagénio e dos polissacarídeos, sendo também usado no tratamento da artrite.


Selénio
Outros oligoelementos são essenciais ao funcionamento dos nossos sistemas enzimáticos antirradicais livres. Nomeadamente, o selénio, que é um cofator essencial para a função da enzima glutatião peroxidase e potencia ainda o efeito antioxidante da vitamina E.

No nosso organismo, o selénio e a vitamina E trabalham em conjunto para preservar a pele saudável e para promover processos metabólicos saudáveis, ajudando a retardar a oxidação dos ácidos gordos que são vitais para a pele saudável. Mais, o selénio ajuda a sintetizar a coenzima Q-10, a qual faz hoje também parte de inúmeros cosméticos, pois sabe-se que promove a atividade celular que tende a diminuir com o avançar da idade.

Para além disso, o selénio é requerido para ativar as hormonas da tiroide, está envolvido na função pancreática normal (necessária para a correta digestão dos lípidos), tem um papel relevante a nível plaquetário (viscosidade sanguínea), age também sobre o citocromo G5 no músculo cardíaco, e é antagonista dos metais pesados como o mercúrio, o chumbo, o arsénico e o cádmio.

A riqueza da natureza

A formulação de cosméticos com base em derivados vegetais, evitando a sua substituição por substâncias sintéticas, tem hoje um grande apreço do público. As frutas, raízes, sementes e os vegetais, em geral, são ricos em substâncias antioxidantes enzimáticas e não enzimáticas.

Característica provavelmente desenvolvida durante o processo evolutivo, como proteção natural aos radicais livres formados pela radiação UV necessária à fotossíntese, pois as plantas também são suscetíveis aos estados de stresse oxidativo.

Ervas frequentemente usadas na nossa culinária como por exemplo: o orégão, o alecrim, o açafrão, o manjericão, a canela, a salva e o tomilho apresentam uma elevada concentração de diversos antioxidantes.

De igual modo, encontram-se amplamente divulgados diversos antioxidantes e anti-inflamatórios tópicos (flavonoides, carotenoides e antocianinas) com base em elementos e extratos botânicos como a soja, o silymarin das alcachofras, o pycnogenol dos pinheiros- bravos, as sementes de uva, o ginkgo, o chá verde, o guaraná, entre muitos, muitos outros.

Porém, os resultados do uso tópico destes compostos nem sempre estão comprovados se serão, efetivamente, tão promissores como aclamam os seus anúncios. Contudo, diversos estudos vão acumulando evidências e apontam o seu contributo significativo a diferentes níveis, nomeadamente ao nível da síntese e manutenção do colagénio e elastina.


Compostos fenólicos

Os compostos fenólicos formam o maior grupo de antioxidantes extraídos de vegetais, onde se encontram sob a forma de polímeros. Existem múltiplos compostos fenólicos de plantas: ácidos fenólicos, cumarinas, flavonoides, taninos, catequinas, lignanas, etc. Os flavonoides são um grupo de compostos polifenólicos, amplamente distribuídos em frutas e vegetais, assim como nos chás extraídos da espécie “Camellia Sinensis”, no café, no cacau, na cerveja e no vinho tinto.

Os flavonoides atuam como antioxidantes tanto em meio lipofílico como hidrofílico. Os grãos da “Theobroma cacao” são ricos em flavonoides (ácido gálico e epicatecina) e a soja é rica em isoflavonóides. São exemplos de substâncias com propriedades antioxidantes que têm vindo a ser exploradas na formulação de suplementos alimentares e cosméticos.

A quercetina presente em frutas e vegetais é o flavonoide mais abundante no vinho tinto. Para além de flavonoides, os extratos obtidos a partir das uvas são ricos em outros compostos polifenólicos: antocianinas (aumentam a resistência das fibras de colagénio) e proantocianinas (potentes antioxidantes).

Para a produção de cosméticos tópicos à base de polifenóis, a indústria farmacêutica teve de atender e lograr superar o facto de que os polifenóis oxidam facilmente quando expostos ao ar, perdendo a sua potencial eficácia enquanto antioxidantes tópicos.

São inúmeros os frutos e plantas que apresentam atividade antioxidante e que, gradualmente, têm sido alvo de estudos sistematizados para se conhecer a sua constituição química e compreender o(s) seu(s) potencial(is) uso(s).


Muitos deles já são usados em suplementos alimentares e em cosmética específica. Assim, através do conhecimento sobre os radicais livres (como se originam, que danos podem provocar a nível da saúde e da beleza, etc.), a esteticista pode contribuir para o melhor aconselhamento dos ativos a utilizar em cada cliente e mesmo orientar para uma atitude de prevenção em relação aos radicais livres que por sua vez provocam o envelhecimento precoce.

Conselhos

• Fazer uma alimentação saudável e equilibrada, dando preferência a fruta e vegetais frescos; 

• Beber pelo menos 2 litros de água diariamente; 

• Beber mais chá e menos café; 

• Moderar o consumo de açúcar e sal; 

• Evitar o consumo de álcool; 

• Substituir os óleos alimentares por azeite ou óleos vegetais; 

• Seguir um programa de exercício adaptado à condição física da pessoa; 

• Dormir o suficiente; 

• Tomar alguns suplementos alimentares antioxidantes (opcional).

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