Cansaço cerebral

Cansaço cerebral


O nosso cérebro também se cansa. E cada vez mais. Saiba porquê.

cansaco cerebral

O mundo actual faz um apelo constante aos nossos sentidos e à nossa atenção. O nosso cérebro está cada vez mais saturado de estímulos de toda a natureza. A atenção é, por causa disso, a actividade mental mais solicitada. É através da atenção que podemos seleccionar os estímulos e as informações que nos interessam. Um complexo mecanismo neurológico, que envolve a interacção de diversas áreas do sistema nervoso, permite que o cérebro seleccione os meios necessários para nos manter alerta ou em estado de maior ou menor concentração sobre múltiplos assuntos.


A nossa capacidade de atenção varia ao longo da vida, do dia e das situações. Essa capacidade pode ser perturbada por cansaço, stress, ansiedade e doenças. Muitas pessoas queixam-se de dificuldades de concentração. Assoberbadas por múltiplas tarefas, a capacidade de concentração pode decrescer bastante.


O cansaço, as preocupações, a falta de sono, a alimentação desequilibrada, certos estados emocionais, algumas doenças e certos medicamentos, as drogas e o álcool atacam a capacidade de atenção. Muitos acidentes (rodoviários, de trabalho, etc.) devem-se a insuficiência ou falhas no nosso complexo sistema de atenção e alerta.


Os limites do cérebro

Por muito resistentes que nos consideremos, o cérebro tem os seus limites. Na nossa sociedade são constantes os atentados contra a nossa capacidade de atenção, a começar pelo ruído que massacra a nossa audição. As suas fontes são as mais diversas: trânsito imparável, fábricas em funcionamento, televisões ligadas horas a fio, telefones sempre prontos a tocar, multidões em movimento (no metro, nas ruas, nos shopping centers, nos estádios, nos grandes concertos, etc.).


Também os nossos olhos se cansam cada vez mais: fixamo-nos horas e horas nos ecrans de televisão, nos monitores dos computadores, ao volante, nas aulas, etc. Não é por acaso que um número crescente de pessoas e sobretudo crianças precisam de usar óculos para corrigir as suas deficiências visuais. Os mais jovens não escapam à tendência: os telemóveis, os jogos electrónicos e o computador tornaram-se íntimos dos nossos filhos. Cada vez mais a sua atenção centra-se em écrans onde o brilho e a velocidade das imagens é muito grande.


Os números não mentem

Segundo estudos revelados em Abril de 2006, 25% das crianças americanas com 5 anos de idade utilizam a Internet. Este valor sobe para 75% na faixa etária dos 15 aos 17 anos.

Outros estudos indicam que, em 2004, as crianças ultrapassaram os adultos no que respeita a média de acesso à Internet. Os dados disponíveis indicam que as crianças entre os 8 e os 13 anos de idade representam metade do número total de utilizadores (3).


Todos os meses surgem novas formas de entretenimento que os aprisionam aos aparelhos. Em apenas seis meses de actividade, o site youtube.com (4), criado em Dezembro de 2005, que permite aos utilizadores colocarem na Internet os seus vídeos caseiros, conquistou 40 milhões de adeptos de idades compreendidas entre os 12 e os 24 anos em todo o mundo. Em Portugal, um país de apenas 10 milhões de habitantes, já ultrapassou o milhão de aderentes! Em Maio de 2006, entravam diariamente, em tudo o mundo, 35 mil novos vídeos naquele site (5).


Um outro passatempo em alta é fornecido pelo site hi5.com – uma rede virtual de contactos criada em Maio de 2006 que se estendeu de imediato por todo o mundo, atraindo, em poucas semanas, mais de 20 milhões de jovens aderentes. Trata-se de uma comunidade onde os jovens simplesmente coleccionam contactos e fazem amigos. Há muitos casos em que os computadores estão ligados 24 horas por dia, sempre on line (6).


Sobrecarregamos, assim, o nosso cérebro de imagens, luzes, sons, sensações e informações. Vinte e quatro horas por dia o nosso cérebro recebe milhões de estímulos.


Por onde chegam os estímulos ao cérebro:

  • Boca (sabores): 1%
  • Pele (tacto): 1,5%
  • Nariz (olfacto): 3,5%
  • Ouvidos (audição): 11%
  • Olhos (visão): 83%


Somos forçados a conviver com uma complexa teia de informações que é canalizada através de uma multiplicidade de fontes: notícias, publicidade, avisos, advertências, emails, telefonemas, reuniões, etc. Em média, quem habite uma qualquer grande cidade europeia ou americana, chega a contactar diariamente com cerca de 15 mil anúncios publicitários, logótipos e rótulos de produtos!


O excesso de informação

Toda esta megainformação que se nos apresenta sob a forma de um brutal bombardeamento provoca saturação e diminui a nossa capacidade de concentração e até de raciocinarmos tranquilamente. Sofremos cada vez mais daquilo que os psicólogos cunharam de “síndrome de fadiga de informação”.


Comparativamente ao que se passava com as pessoas do princípio do século XX, que viviam nas grandes cidades, nós somos atingidos por 500 vezes mais estímulos sensoriais. E, se recuarmos 100 mil anos, quando ainda a espécie humana deambulava pelas savanas de África, esse número sobe para mais de um milhão de vezes! Todavia, o nosso cérebro não está biológica e estruturalmente melhor apetrechado.


Há uma sobrecarga por vezes perigosa de estimulação, o que está a causar queixas cada vez mais frequentes de cansaço, esgotamento, dificuldades de concentração, confusão, sensação de insegurança, ansiedade, medo e depressão. Muitos de nós aproximam-se perigosamente dos seus limites de resistência.


© Órbitanews 2014