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Distúrbios alimentares


Em colaboração com o ConsultaClick.com, a nutricionista Joana Carido esclarece-nos sobre o que são a anorexia e a bulimia nervosas.

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Os distúrbios alimentares são doenças psiquiátricas debilitantes caracterizadas por um distúrbio persistente nos hábitos alimentares ou nos comportamentos de controlo de massa corporal que resulta em danos na saúde física e no funcionamento psicossocial. 

Manifesta-se maioritariamente em mulheres durante a adolescência e início da idade adulta, os inícios tardios estão normalmente associados a eventos adversos da vida.

As mudanças corporais próprias da adolescência são importantes causadores de crises de identidade, no entanto os padrões de beleza atuais ditados pela moda, apesar de pouco reais e as revistas para adolescentes que associam frequentemente o sucesso amoroso e laboral à magreza e insistem em dietas miraculosas e desajustadas são dos principais fatores que contribuem para o desenvolvimento de distúrbios alimentares.

Existem critérios de diagnóstico, publicados pela American Psychiatric Association, que nos permitem distinguir a Anorexia Nervosa (AN), da Bulimia Nervosa (BN), do transtorno Alimentar Não Especifico (TANE) e do Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP). 

Apesar de serem doenças psiquiátricas devem ser abordadas e tratadas, não só por um psiquiatra, mas também por um nutricionista cujo papel será importante na recuperação e integração de uma alimentação saudável no quotidiano.


Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa

A AN é caracterizada pela recusa em manter a massa corporal normal ou acima do mínimo normal de massa corporal para a idade e estatura, um medo intenso de ganhar massa corporal ou tornar-se obeso, um distúrbio na maneira em que visualiza a massa corporal ou tamanho corporal, excessiva influencia na autoavaliação da massa corporal ou recusa da gravidade da baixa massa corporal atual e amenorreia em mulheres pós-menarca.

Pode classificar-se como AN do tipo restritivo quando não há períodos de compulsão alimentar ou comportamento purgativo, ou como AN do tipo purgativo quando há períodos de compulsão alimentar e comportamento purgativo.

Sinais de alerta: Perda de peso exagerada, desculpas constantes para não comer, isolamento social, corte dos alimentos em quantidades ínfimas, fazer muita comida para os outros e ficar a vê-los comer…

Consequências: A elevada carência nutricional provoca pele seca, cabelo fraco, e aparecimento de lanugo. Tonturas, anemias e distúrbios no sistema hormonal, com o desaparecimento da menstruação, nas mulheres, e a impotência sexual, nos homens, são outros problemas comuns. 

Alguns doentes ficam com osteoporose, problemas de estômago, fígado e rins. No limite, a doença pode conduzir à morte, por infeções generalizadas.

A BN é caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar. Episódio de compulsão alimentar pode ser descrito como um consumo de alimentos acima do normal durante um período de tempo associado a um sentimento de perda de controlo durante este período, é ainda caracterizado por repetidos comportamentos compensatórios para impedir o aumento da massa corporal, como a autoindução do vómito, uso impróprio de laxantes, diuréticos, enemas e outras medicações, jejuns prolongados e exercício físico excessivo. 

A compulsão alimentar e os comportamentos compensatórios ocorrem em média duas vezes por semana durante 3 meses e a autoavaliação é excessivamente influenciada pelo tamanho e massa corporal.

Pode classificar-se como BN do tipo purgativo quando há períodos de compulsão alimentar há autoindução do vómito, uso impróprio de laxantes, diuréticos e enemas. Ou do tipo não purgativo quando os mecanismos compensatórios são jejuns prolongados ou exercício físico em excesso.

Sinais de alerta: Oscilações de peso e cáries dentárias, agressividade e isolamento social e alteração no horário das refeições, idas frequentes à casa de banho durante ou após a refeição (para vomitar), as cicatrizes e calos nas mãos (por provocarem o vómito) e a obsessão pelo exercício físico.

Consequências: Tonturas, anemias e distúrbios no sistema hormonal. É comum a distensão do estômago, lesões no esófago, irritação crónica na garganta e inchaço nas mãos e nos pés.

Abordagem Nutricional 

A abordagem nutricional deve incluir uma avaliação do atual estado nutricional com uma avaliação da composição corporal e uma avaliação da ingestão nutricional com o estudo dos hábitos de consumo alimentar e de purgação assim como as atitudes e comportamentos alimentares.

É importante desmistificar as questões e ideias pré-concebidas existentes, por exemplo: a crença que as calorias consumidas durante um episódio de compulsão alimentar podem ser completamente purgadas é uma conceção errada e comum entre os pacientes, assim como a ideia que uma dieta vegetariana será menos calórica, na verdade esta é apenas mais uma forma de fugir a refeições.

É fundamental um controlo laboratorial de forma a determinar deficiências vitamínicas e mineralicas e do balanço hídrico e eletrolítico que com os comportamentos purgativos é frequentemente influenciado.

Finalmente, após a contemplação de todos os parâmetros descritos deve ser estabelecido um plano alimentar NEGOCIADO com o doente. É importante lembrar que é fácil contar calorias pelo que “enganar” nunca é uma opção. 

No caso da AN, o aumento de calorias no plano alimentar deve ser gradual e é fundamental encarar a recuperação em fases: 1º parar a perda de peso, 2º estabilizar o peso, 3º aumento gradual do peso até a um mínimo saudável.

No caso da BN a primeira fase deve ter como objetivo parar o comportamento purgativo e os episódios de compulsão, seguidamente deve-se estabilizar a perda de massa corporal e finalmente a instituição de um plano alimentar estruturado e adequado mesmo quando com o objetivo de reduzir a massa corporal a médio prazo e de forma adequada. 


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