Infertilidade

Infertilidade

 

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Conheça as soluções médicas que garantem uma maior taxa de sucesso

Apesar de a concepção de um filho ser, aparentemente, um acto natural e intuitivo, não o é para muitos casais que, por algum motivo, sofrem de infertilidade.

A maioria dos casais parte do princípio que é fértil e acredita conseguir conceber logo após a interrupção da contracepção.

No entanto, de acordo com a Associação Portuguesa de Infertilidade (API), estima-se que, em Portugal, 15 a 20% dos casais em idade reprodutiva sofram de infertilidade.

Se faz parte destes cerca de 750 mil casais que não conseguem ter filhos, saiba como agir.

O que é?

A infertilidade é definida como a incapacidade de um casal conceber depois de, pelo menos, um ano de relacionamento sexual regular sem qualquer protecção, ainda que o diagnóstico possa ser encontrado mais cedo, no caso de disfunção evidente. Infertilidade não é, contudo, sinónimo de esterilidade (incapacidade definitiva de conceber).

Na verdade, a maioria dos casais que tem dificuldade em engravidar não é estéril, mas apenas infértil ou sub-fértil, isto é, apresenta uma capacidade reduzida de conceber espontaneamente, de forma natural, podendo, contudo, vir a ter filhos através de ajuda médica.

A infertilidade pode ainda manifestar-se apenas após o nascimento do primeiro filho, dificultando a concepção de um segundo ou mais filhos. É a chamada infertilidade secundária.

Quais as suas causas?

As causas mais comuns de infertilidade são disfunções de ovulação e obstrução das trompas de Falópio (na mulher) e anomalias da quantidade, motilidade e forma dos espermatozóides (no homem).

Segundo a API, em 80% dos casais a infertilidade advém de problemas em ambos os parceiros, embora estes sejam, geralmente, mais graves e frequentes na mulher do que no homem.

Em cerca de 10% dos casos, as causas são desconhecidas, sendo eventualmente detectadas no decorrer do tratamento. É a chamada infertilidade idiopática.

 

Como tratar?

Perante a suspeita de algum problema relacionado com a infertilidade, o primeiro passo é procurar ajuda médica.

Onde? Nas consultas de infertilidade dos hospitais públicos ou junto de um ginecologista que, eventualmente, poderá enviar o casal para uma clínica privada especializada em reprodução medicamente assistida.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as possibilidades de conseguir uma gravidez (ainda que nem sempre seja possível).

Existem vários tipos de tratamentos para a infertilidade, quase todos dirigidos à mulher (praticamente não existe tratamento para o factor masculino da infertilidade e, na maior parte dos dos casos, os resultados não são satisfatórios).

A escolha das soluções mais indicadas deverá ser feita pelo especialista de Ginecologia, em conjunto com o casal, após análise da história clínica e dos exames de diagnóstico de ambos.

Por norma, o processo é iniciado com tratamentos menos invasivos, como a calendarização das relações sexuais, e pode haver lugar a tratamentos médicos ou cirúrgicos.

Se estes tratamentos não resultarem em gravidez, são equacionadas as técnicas de procriação medicamente assistida, como a inseminação intra-uterina (IIU), a fertilização in vitro (FIV), a transferência intra-falopiana de gâmetas (GIFT) ou a injecção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), que requerem a toma de medicação hormonal para estimular a produção de óvulos.

Como prevenir?

Actualmente, acredita-se que, para além das anomalias relacionadas com o aparelho reprodutor, e de algumas doenças (cardiovasculares, oncológicas, auto-imunes, infecções sexualmente transmissíveis, entre outras), existem factores associados ao estilo de vida actual que podem interferir na concepção.

Segundo a API, estes estão na origem do aumento da taxa de infertilidade nos países industrializados, como adiamento da idade de concepção, hábitos sedentários, consumo excessivo de gorduras, tabaco, álcool e drogas, bem como a exposição aos químicos libertados na atmosfera e utilizados nos produtos alimentares.

Por isso, em termos preventivos, ambos os membros do casal devem procurar seguir um estilo de vida saudável, evitando estes factores de risco.

É também aconselhável que a mulher, em particular, não adie a gravidez, pelo menos a primeira, para além dos 35 anos, uma vez que o seu índice de fecundidade diminui progressivamente a partir dos 33 anos.

Para além disso, é importante que a mulher consulte regularmente o ginecologista, para detectar eventuais patologias que possam inviabilizar a gravidez.

Principais causas de infertilidade

Na mulher

  • Disfunção ovulatória provocada por alterações hormonais, endometriose (presença de mucosa uterina fora do útero) e ovário poliquístico (disfunção ovárica)
  • Obstrução das trompas de falópio, geralmente devido a infecção genital
  • Patologia uterina (fibromiomas, pólipos...)
  • Tumores malignos
  • Malformações anatómicas


No homem

  • Anomalias nos espermatozóides (redução da quantidade e perda de mobilidade)
  • Criptorquidia (descida incompleta dos testículos para o escroto, uma anomalia congénita muito frequente em Portugal)
  • Lesões do escroto
  • Alterações genéticas
  • Tumores malignos
  • Malformações anatómicas

Os tratamentos mais utilizados

Relações sexuais programadas

É o mais básico dos tratamentos para a infertilidade. Consiste em determinar o momento exacto da ovulação (através de testes à urina ou de ecografia) para programar a altura em que o casal deverá ter relações sexuais.

Taxa de gravidez: 14 a 20%.

Inseminação intra-uterina (IUI)

Consiste em colocar esperma previamente preparado no interior do útero da mulher, através de um pequeno cateter introduzido pelo colo do útero.

Taxa de gravidez: 14 a 20%.

Fertilização in vitro (FIV)

É a técnica mais usada na procriação medicamente assistida. A fertilização (união do óvulo ao espermatozóide que ocorre naturalmente na trompa) é feita em laboratório, após recolha dos óvulos e do esperma do casal; depois de fertilizados, os óvulos são transferidos para o útero.

Taxa de gravidez: 20 a 40%.

Injecção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI)

Forma de fertilização microcirúrgica assistida que envolve a injecção de um único espermatozóide num ovócito maduro.

É particularmente indicada para casais em que o homem apresenta fraca mobilidade e baixa contagem de espermatozóides.

Taxa de gravidez: 20 a 30%.

Transferência intra-falopiana de gâmetas (FIFT)

Procedimento semelhante à FIV, com a diferença que os óvulos e o esperma são colocados directamente na trompa de falópio com recurso à laparascopia (intervenção cirúrgica na região pélvica), sob anestesia geral, e a fecundação ocorrerá in vivo, isto é, no interior do corpo da mulher.

Taxa de gravidez: cerca de 30%.


Texto: Fernanda Soares

Revisão científica: Prof. Dr. João Silva Carvalho (presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução)

 

Infertility

Know the medical solutions that ensure a higher success rate


Although the conception of a child is apparently an act natural and intuitive, it is not for many couples who, for whatever reason, suffer from infertility.

Most couples assumes that is fertile and is believed to conceive soon after stopping contraception.

However, according to the Portuguese Association of Infertility (API), it is estimated that in Portugal, 15 to 20% of couples of reproductive age suffer from infertility.

If you are part of about 750 thousand couples who are unable to have children, know how to act.

Infertility is defined as the inability of a couple to conceive after at least one year of regular intercourse without any protection, although the diagnosis can be found earlier in the case of obvious dysfunction. Infertility is not, however, synonymous with sterility (inability to conceive final).

In fact, most couples have difficulty conceiving is not sterile, but only sub-fertile or infertile, that is, has a reduced ability to conceive spontaneously, naturally, but may, however, to have children through Aid medical.

Infertility can also manifest itself only after the birth of their first child, complicating the design of a second or more children. This is called secondary infertility.


The most common causes of infertility are ovulation disorders and obstruction of the fallopian tubes (in females) and anomalies of number, shape and motility of sperm (for males).

According to API, in 80% of couples with infertility arises from problems in both partners, although these are generally more severe and frequent in women than in men.

In about 10% of cases, the cause is unknown, but was eventually detected in the course of treatment. This is called idiopathic infertility.


Given the suspicion of some problem related to infertility, the first step is to seek medical help.

Where? In consultations for infertility in public hospitals or from a gynecologist who may eventually send the couple to a private clinic specializing in assisted reproduction.

The earlier the diagnosis, the greater the chances of achieving a pregnancy (although not always possible).

There are various treatments for infertility, almost all directed to women (there is virtually no treatment for male factor infertility and, in most cases, the results are not satisfactory).

Choosing the most suitable solution should be made by specialist Gynecology, together with the couple after a review of clinical history and diagnostic tests for both.

Normally, the process starts with less invasive treatments, such as the timing of intercourse, and there may be room for medical or surgical treatment.

If these treatments do not result in pregnancy, are being considered the techniques of assisted reproduction such as intrauterine insemination (IUI), in vitro fertilization (IVF), intra-fallopian transfer gamete (GIFT) or intracytoplasmic injection sperm injection (ICSI), which require taking hormonal medication to stimulate egg production.


Currently, it is believed that in addition to the anomalies related to the reproductive system, and some diseases (cardiovascular, cancer, autoimmune diseases, sexually transmitted infections, among others), there are factors associated with the current lifestyle that may interfere with design.

According to API, these are the source of the increased rate of infertility in industrialized countries, such as delaying the age of conception, sedentary habits, excessive consumption of fats, tobacco, alcohol and drugs, as well as exposure to chemicals released into the atmosphere and used in food products.

So in terms of prevention, both members of the couple should follow a healthy lifestyle, avoiding these risk factors.

It is also advisable that women in particular, do not delay pregnancy at least at first, beyond the 35 years since its fertility rate decreased progressively from 33 years.

In addition, it is important that women see a gynecologist regularly to detect any diseases that could cripple the pregnancy.



Ovulatory dysfunction caused by hormonal changes, endometriosis (presence of uterine lining outside the uterus) and polycystic ovarian dysfunction (ovarian)
Obstruction of the fallopian tubes, usually due to genital infection
Uterine abnormalities (fibroids, polyps ...)
Malignant
Anatomical malformations


Abnormalities in spermatozoa (reduced and loss of mobility)
Cryptorchidism (incomplete descent of testicles into the scrotum, a very common congenital anomaly in Portugal)
Injuries to the scrotum
Genetic alterations
Malignant
Anatomical malformations
The most used treatments


It is the most basic of treatments for infertility. Is to determine the exact moment of ovulation (by urine tests or ultrasound) to schedule a time that the couple should have sex.

Pregnancy rate: 14 to 20%.

Intrauterine insemination (IUI)

Involves placing the prepared sperm inside the woman's uterus through a small catheter inserted through the cervix of the uterus.

Pregnancy rate: 14 to 20%.

In vitro fertilization (IVF)

It is the most widely used technique in medically assisted procreation. Fertilization (union of the egg to the sperm that occurs naturally in the tube) is made in the laboratory, after collecting the eggs and sperm of the couple, after being fertilized, the eggs are transferred to the uterus.

Pregnancy rate: 20 to 40%.

Intracytoplasmic sperm injection (ICSI)

Form of assisted microsurgical fertilization involves injecting a single sperm into a mature oocyte.

It is particularly suitable for couples where the man has low mobility and low sperm count.

Pregnancy rate: 20 to 30%.

Intra-fallopian transfer gamete (fift)

Procedure similar to IVF, except that eggs and sperm are placed directly in the fallopian tube using the laparascopia (surgery in the pelvic region), under general anesthesia, and fertilization occurs in vivo, ie within the body of woman.

Pregnancy rate: approximately 30%.



Text: Fernando Soares
Scientific reviewer: Prof.. Dr. John Silva Carvalho (President of the Portuguese Society of Reproductive Medicine)
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