Os homens

O que procuram os homens?


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O género masculino admite, hoje em dia, que dá tanta importância ao amor e à ternura como ao sexo. Este é uma das principais lições de um inquérito inédito, "Os homens, o sexo e o amor".


"Eu e a minha mulher estamos juntos há 15 anos e fazemos amor uma vez por semana. Mentiria se dissesse que não sinto falta da loucura dos primeiros tempos. Mas, de todas as vezes, é um momento de comunicação e prazer intenso. Sobretudo, porque existe todo o resto : o prazer de dormir ao lado um do outro, os abraços…Eu não mudaria isso contra nada no mundo". Será, João, 38 anos, um estrangeiro em terra de homens?


A necessidade de ternura e o desejo de uma vida serena em casal  desprendido do fulgor do desempenho sexual - geralmente associados à mulher - serão compartilhados por ambos os sexos ?

Talvez sim, se acreditarmos nos resultados do inquérito de Philippe Brenot, psiquiatra, sexólogo e antropólogo, intitulado “Os Homens, o sexo e o amor”.

Este estudo retrata o homem como um verdadeiro amante do sexo, sempre disponível e com diversas fantasias, mas, e este é o sinal de mudança, ansiosos por compreender a seu parceira e comprometido com a durabilidade de seu casamento.

Eles estão insatisfeitos... mas procuram amor

« Apenas 33 % dos homens entrevistados se declara muito satisfeito com a sua vida sexual, o que, em si mesmo, não é muito, observa Philippe Brenot. Em causa esta a frequência das relações sexuais, em que 63% dos homens se encontra insatisfeito. No entanto, 92% dizem amar a sua companheira. A prova, segundo o psiquiatra, que os comportamentos masculinos mudaram.

« Todos os homens fariam de bom grado amor todos os dias, mas a maior parte deles adapta-se ao ritmo de vida, ao respeito pela sua mulher e dos seus desejos, simplesmente porque prefere gerir essa frustração do que colocar em risco o seu casamento ».

Para Bernard-Élie Torgemen, psicanalista, animador de grupos de conversa masculinos há mais de vinte anos, essa insatisfação pode estar relacionada com o cliché do homem insaciável. Estará ultrapassada a imagem do homo sapiensreduzida à sua pulsão sexual para dar lugar ao homem novo? Mas, atenção, a evolução é lenta, alerta Alain Héril, psicanalista e sexólogo.

« Os homens herdaram uma mensagem cultural e educacional em que são reis da sexualidade », lembremos que para Freud, por exemplo, a libido é masculina. São sempre quem possui o desejo, adianta Alain Héril. Mas, actualmente, aperceberam-se que também precisam de amor e de ternura. Paralelamente, enfrentam mulheres mais desejosas, que assumem livremente esse desejo como se de um direito se tratasse

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Uma mudança desarmante ! No entanto, esse é um passo que permite que ambos se sintam desejados. E esse é o principal problema do casal. Antes de mais, os homens devem parar de acreditar que tudo passa por eles. "A começar no orgasmo da sua companheira, uma obsessão partilhada por vários homens".


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