Relação destruiva

Está numa relação destrutiva e sem futuro?

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Uma especialista diz-lhe como resolver o problema

A partir do momento em que, na nossa relação amorosa, os momentos de angústia pesam mais do que aqueles que nos dão prazer, há que ter cuidado, pois estamos perante um amor doentio.

«Descobrir uma dependência é fácil, o pior é sair dela. Às vezes é necessário procurar ajuda profissional para nos libertarmos de um relacionamento destrutivo», aconselha Mariela Michelena, autora da obra «Mulheres Mal-amadas» (A Esfera dos Livros).

Neste livro, afirma acreditar que «em qualquer mulher mal-amada por uma série de homens há uma mulher que se quer mal a si própria», como sublinhou em entrevista exclusiva à revistasaber viver.

No seu livro refere que conheceu várias mulheres inteligentes, decididas e com uma boa autoestima e que, no entanto, se anulam no amor. Porque será?

Até agora, estávamos habituadas a entender a dependência amorosa das mulheres como um reflexo da sua dependência económica. Atualmente, ficamos surpreendidos ao descobrir que, afinal, muitas mulheres bem sucedidas e economicamente independentes, sofrem por amor tal como as suas antecessoras do século XIX.

O contraste entre o sucesso profissional e a fragilidade emocional é surpreendente. A predisposição para o sacrifício e o sofrimento por amor é uma característica tipicamente feminina.

Tanto faz o que conseguimos atingir em todos os outros aspetos da nossa vida. Quando um homem entra em cena, tudo se modifica. Mas isto é uma tendência, é bem diferente de acharmos que somos obrigadas a sofrer, condenadas a ter relações infelizes. Saber reconhecer a nossa natureza é o que nos permite cuidar de nós mesmas.

A que sinais uma mulher deve estar atenta de forma a compreender a tempo que está envolvida numa relação que não lhe trará felicidade?

Os sinais de que fala diferem de mulher para mulher e manifestam-se de diferentes formas. No entanto, é preciso perguntarmos a nós próprias se nos sentimos confortáveis na relação ou se estamos constantemente aterrorizadas com a possibilidade de esta terminar.

É também importante perceber se existe reciprocidade, se sentimos que recebemos tanto quanto damos ao outro, perceber se na relação há espaço para ambos crescerem, se se compreendem, se são mais os bons momentos ou os maus...

Há mulheres que, ao longo da vida, vão colecionando relações problemáticas mas, apesar disso, repetem o mesmo padrão, o mesmo erro...

A repetição é inerente ao ser humano. Repetimos situações sem que sequer nos apercebamos disso e escolhemos companheiros tão igualmente desastrosos como os anteriores, convencidas de que, desta vez, estamos a fazer tudo certinho.

Mas a verdade é que, geralmente, repetimos situações que vivemos na infância e das quais não temos sequer consciência e, às vezes, é necessária a ajuda de um terapeuta para conseguirmos virar a página, compreender que estamos a reviver tudo e romper o ciclo da repetição.

O amor incondicional é, normalmente, visto como algo a que devemos aspirar, mas não é isso que nos diz. Porquê?

O amor incondicional, que soa tão bem no papel, é um amor doentio que, para começar, não leva em conta o destinatário desse amor.

Independentemente do que o outro faz ou diz, se nos trata bem ou mal, se quer ou não estar ao nosso lado, o amor incondicional continua firme, incólume, surdo e cego perante a realidade.

Não deve ser motivo de orgulho sentir este tipo de amor por alguém ou ser objeto deste tipo de amor. O verdadeiro amor leva em conta o ser amado, com todos os seus defeitos e virtudes, as coisas que gostamos ou não no outro, coisas que aceitamos apesar de não nos agradarem e situações pelas quais não estamos dispostos a passar, por muito que gostemos da outra pessoa.

Muitas mulheres mantêm um relacionamento na esperança de vir a mudar o companheiro. Não seria mais fácil escolher alguém que corresponda às nossas expectativas?

Por muito que me custe dizer isto, a minha experiência ensinou-me que ninguém pode mudar ninguém. Cada um é como é e isso é algo com que temos de aprender a conviver.

No meu livro falo de mulheres mal-amadas, e isto quer dizer que os seus companheiros podem gostar muito delas mas de uma forma errada ou de uma forma que não as faz felizes. A infelicidade nem sempre se deve à falta de amor, mas à impossibilidade de essa pessoa nos compreender e nos fazer felizes...

Claro que seria bem mais fácil escolher, logo à partida, o nosso príncipe encantado, mas acontece que continuamos a acreditar que o amor é capaz de tudo e que «se ele gostar de mim, ele vai mudar», ou «se gostar verdadeiramente dele, vou conseguir mudá-lo». Só que o problema aqui não é amor, acontece simplesmente que cada um carrega a sua própria história...

Ajuda profissional

Estas são as situações em que a deverá procurar:

- Não consegue dar azo à sua verdadeira personalidade 
- Afastou-se dos amigos e do ambiente em que geralmente se movimenta 
- Pôs de lado os seus interesses 
- Passa o dia à espera que o telefone toque 
- Aceita situações inaceitáveis (infidelidade, faltas de respeito, entre outras) como se fossem normais 
- Diz demasiadas vezes a frase «mas eu gosto dele», apesar de ele a fazer infeliz


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