Suas pernas

Pela saúde das suas pernas

pernas


As varizes afectam sobretudo as mulheres

A sensação de pernas cansadas é subjectiva e é experimentada de forma diferente por cada pessoa. As varizes afectam sobretudo as mulheres e nem sempre são valorizadas ou tratadas de forma adequada. Se sofre deste problema, saiba os cuidados a ter no dia-a-dia.

Como as varizes são frequentes na população serão uma das causas mais frequentes do cansaço nas pernas. “No entanto, existem outros factores que justificam esta sensação, como as alterações degenerativas osteoarticulares ou musculares, variações posturais (postura de trabalho), o excesso de peso e a falta de exercício”, defende o Dr. António Assunção, médico especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital de Braga.

É frequente a presença de veias visíveis nas pernas sobretudo em mulheres de pele clara. “Apenas se chamam varizes às veias que estão dilatadas, tortuosas e alongadas”, acrescenta. No entanto, as varizes compreendem um largo espectro de tipos, com importância clínica muito diferente, conforme descreve o especialista mais à frente neste artigo.

Ainda não se conseguiu esclarecer a causa das varizes mas sabe-se que “vários membros de uma mesma família têm varizes, pelo que se pensa que este problema tenha uma causa genética, ainda que não seja possível comprová-lo cientificamente”.

Apenas em alguns pacientes, “principalmente nos pacientes com varizes tronculares (dilatações venosas, visíveis e palpáveis), a evolução prolongada das varizes pode causar complicações, como a inflamação crónica da pele (dermatite), o escurecimento e endurecimento da pele e do tecido adiposo (lipodermatoeclerose) e feridas crónicas no tornozelo (úlcera venosa)”, avança António Assunção.

As varizes afectam sobretudo as mulheres e aquelas que tiveram mais filhos ao longo da vida. E por que motivo? “Pensamos que resultará do efeito hormonal sobre a dilatação das veias. Há outras situações que se associam às varizes, embora a relação esteja menos bem estabelecida, como a obesidade, períodos longos de posição estática em pé e prolongada exposição a ambientes muito quentes”, defende o especialista do Hospital de Braga.

Os estudos populacionais sobre varizes apontam para que cerca de um terço das mulheres no mundo ocidental padeçam de varizes. “A maioria dos estudos conclui que a proporção de homens com varizes é menor. No entanto, a menor importância que os homens dão às varizes, por motivos educacionais, e o efeito ocultante dos pêlos podem também justificar esta diferença”, avança o médico.

Tratamento adequado

Como a sensação de pernas cansadas se deve a inúmeros factores, quando a mulher vai ao médico com esta queixa, o mesmo “deve examiná-la cuidadosamente para perceber se os seus sintomas são causados pelas varizes, antes de aconselhar qualquer tipo de tratamento. A cirurgia é eficaz nos casos com varizes tronculares, pelo que deve ser ponderado caso a caso”.

Para muitas mulheres, as varizes constituem um problema estético. “Após uma completa explicação dos procedimentos e depois de ponderados os riscos e os benefícios, pode ser considerada uma combinação de técnicas cirúrgicas e de esclerose (secagem) para conseguir uma melhoria estética”, defende António Assunção.
Se as varizes não forem tratadas devidamente podem causar peso, dor e comichão (prurido) nas pernas. “Alguns pacientes apresentam edema (inchaço). Os sintomas relacionados com as varizes tendem a piorar no final do dia e a melhorar com a elevação das pernas.”

Nem sempre as pacientes procuram ajuda especializada. “Muitas mulheres desvalorizam as varizes e só recorrem à ajuda médica quando surgem complicações como a dermatite ou a úlcera. São habitualmente de zonas rurais com menor acesso à informação e aconselhamento médico”, defende o médico especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular.

Tipos de varizes

Varizes tronculares - são dilatações venosas, visíveis e palpáveis, resultantes do alargamento e alongamento das principais veias (troncos) que drenam a pele e tecido adiposo - as veias grande safena e pequena safena - ou das suas principais veias tributárias;

Varizes reticulares - veias dilatadas subdérmicas normalmente com menos de 4 mm de diâmetro;

Telangiectasias - vulgarmente denominadas de "derrames" ou "aranhas vasculares" – pequenas veias dilatadas intradérmicas, normalmente com menos de 1 mm de diâmetro.

Dicas para o dia-a-dia

Por Dr. António Assunção

- A procura de um estilo de vida saudável é a base para a manutenção de um bom estado de saúde. Este princípio também se aplica às pernas.

- O exercício dos músculos da perna, melhorando a drenagem venosa, é particularmente importante.

- Praticar desporto, como a marcha ou o ciclismo, são formas de exercitar as pernas.

- O peso e a alimentação devem ser controlados. O peso excessivo é por si só a causa de sintomas nas pernas e agrava os sintomas relacionados com as varizes.

- O vestuário deve ser confortável e o calçado deverá ter um salto entre 3 a 4 cm.

- As mulheres que tenham varizes e sintomas relacionados beneficiam do uso de meias elásticas de compressão. Existem muitos modelos e várias classes de compressão, com diferentes tipos de malhas e cores, capazes de se adequar às diversas situações do dia-a-dia. As chamadas meias elásticas de conforto ou de descanso não necessitam de prescrição médica e podem aliviar os sintomas.

- Estas mulheres devem evitar longos períodos de pé e aproveitar os períodos de intervalo nas suas tarefas para elevar as pernas.


Varizes e peso nas pernas


pernas 2

Veja o que deve fazer para se livrar deles este Verão


As varizes e a sensação de peso nas pernas são transtornos incómodos que afectam a vida quotidiana e que se agravam no Verão, com o tempo quente.

As varizes são uma alteração da circulação venosa de retorno que afecta uma em cada 10 pessoas e é mais frequente nas mulheres. Resultam de problemas nas válvulas das veias das pernas, as que normalmente ajudam a que o sangue siga o seu caminho em direcção ao coração.

Quando estas funcionam mal, o sangue estanca nas veias, dilatando-as e produzindo dor, para além de entorpecer o fluxo sanguíneo. Se as varizes forem grandes, podem colocar em risco a saúde, já que aumentam a possibilidade de aparecimento de trombos (coágulos de sangue).

Por outro lado, actualmente 80% dos adultos padece do sintoma de pernas cansadas, que afecta tanto homens como mulheres, ainda que estas, tendencialmente, sofram mais devido às alterações hormonais ocorridas ao longo da vida (menstruação, gravidez, menopausa...) As causas mais frequentes deste transtorno são um estilo de vida inadequado (sedentarismo, alimentação desequilibrada, tabaco, álcool...) a par da falta de acompanhamento médico.


11 conselhos para tornar as suas pernas mais leves

Mais fibra

Os problemas intestinais, como a prisão de ventre, têm influência sobre a circulação das pernas. Aumente a ingestão de fibra (frutas, verduras...) e contribuirá para regular a o processo digestivo.

Menos sal

O sal em excesso provoca retenção de líquidos, o que aumenta o inchaço.

Água em abundância

Ajuda a eliminar toxinas e depura o corpo. Para além de água, beba sumos naturais, sopas e infusões.

Pernas para cima

Durma com as pernas ligeiramente levantadas (coloque uma almofada debaixo dos pés).

Roupa confortável

É aconselhável vestir sempre roupa folgada e de materiais transpiráveis. Evite os saltos excessivamente altos bem como as sapatos completamente rasos.

Mexa-se

Andar a pé, subir escadas, andar de bicicleta... Com qualquer uma destas actividades melhorará o retorno venoso.


Relaxe

O cansaço e o stress afectam todo o corpo, incluindo a circulação, pelo que trate de levar uma vida mais tranquila (não confundir com sedentária).

Água fria

As temperaturas quentes provocam vasodilatação, o que piora a circulação. Se combinar jactos de água fria e morna tonifica e contrai os vasos sanguíneos, aliviando a sensação de cansaço.

Modifique a postura

Se passa muito tempo sentada, mude de postura de vez em quando. Se está em casa, ande em pontas de pés e agache-se várias vezes para que a circulação volte ao seu fluxo normal.

Massagens

Com as mãos ou uma escova de massagem, comece nos pés e vá subindo, pouco a pouco, até ás coxas, onde deve centrar a atenção durante um pouco, insistindo com movimentos circulares.

Use meias elásticas

Estas melhoram a circulação de retorno.


Pernas leves



Como prevenir e tratar varizes, dores e sensação de cansaço

«É impossivel corrigir factores genéticos, por isso, a prevenção deve ser uma prioridade: mexa-se, caminhe, faça exercício regular, beba muita água, hidrate a pele e não ingira bebidas alcoólicas, nem gaseificadas». Estes são alguns dos conselhos que Paulo Correia, cirurgião vascular, deixa a quem sofre de pernas cansadas e varizes.

Na base destes problemas encontra-se a Doença Venosa Crónica (DVC).

Esta patologia traduz-se na má circulação dos vasos sanguíneos no percurso entre os membros inferiores e o coração. O sangue fica estagnado nas veias, afectando a zona capilar da pele e promovendo o aparecimento de derrames.

O que é a DVC

Com a contínua dilatação das veias, surgem as varizes. Segundo o especialista em doenças venosas Paulo Correia, «esta doença manifesta-se por dor, cansaço, peso e mal-estar nas pernas, bem como pelo aparecimento de varizes e derrames nas pernas e coxas. Este problema pode também surgir via genital, atingindo tanto o sexo masculino como feminino».

Alvos preferenciais

Esta patologia incide, maioritariamente, em adultos entre os 20 e os 50 anos, com particular ênfase no sexo feminino. «Um dos factores de risco é a herança genética, pelo que pessoas com historial familiar de DVC devem estar atentas e consultar com regularidade o médico», afirma Paulo Correia. Além disso, existem profissões de risco propícias ao desenvolvimento das doenças venosas, nomeadamente aquelas que implicam longas permanências em pé.

As pessoas com uma vida muito sedentária são também um alvo comum, mas outros factores podem agravar o problema, como «gravidez, obesidade, uso de contraceptivos hormonais ou os tratamentos hormonais pós-menopausa», exemplifica.


Sinais de alarme

Se sentir as pernas cansadas e algum mal-estar, não hesite em falar com o seu médico assistente e averiguar o que se passa. «A origem da doença tem de ser sempre descoberta, pois o êxito do tratamento vai depender dessa informação », explica o cirurgião.

O sinal de alarme pode também ser mais imediato. «Caso detecte subitamente uma veia dilatada ou verifique que uma área já dilatada fica com rubor, dura ou dolorosa à apalpação é imperativo que contacte o seu médico», aconselha.

Como prevenir

A saúde das suas pernas também depende de si e de alguns gestos simples no seu dia a dia. É o caso da hidratação da pele, após o banho, ou dos cuidados especiais na limpeza da pele e unhas (muitas vezes, a presença de outras infecções nas unhas e entre os dedos pode provocar aparecimento ou o agravamento das varizes).

Não use roupa apertada, evite fontes de calor (aquecedores, banhos quentes) e tente equilibrar o peso. Faça uma alimentação diversificada – pobre em hidratos de carbono e gorduras saturadas, rica em legumes e fruta, e moderada em proteínas – e evite os produtos diet/light.


Tratamentos anti-varizes

A abordagem terapêutica deve ser adequada ao grau de DVC, já que esta é uma doença evolutiva.

«Os tratamentos variam entre alterações nos hábitos da pessoa, como o uso de meias elásticas, o exercício fisico regular, a adopção de medidas posturais correctas (elevar os membros inferiores em repouso), até tratamentos medicamentosos e outros mais complexos», refere Paulo Correia.

De acordo com o cirurgião são exemplos disso, a «escleroterapia (secagem das varizes), cirurgia, laser endovenoso, radiofrequência, embolização de outros territórios venosos (varizes pélvicas) ou esclerose com espuma eco-guiada».

Os tratamentos mais dispendiosos são as cirurgias e a embolização, cujo custo pode variar entre três e oito mil euros. Os restantes tratamentos, para situações menos complexas, rondam os 100 e os 250 euros», afirma.

Cuidados a ter no Verão


Nos dias mais quentes, reforce os cuidados para proteger as suas pernas:

  • Evite expor-se ao sol nas horas de maior calor (12h-16h)
  • Use sempre protecção solar (factor 20-50)
  • Aproveite a frescura e acção revigorante da água em caminhadas à beira-mar
  • Depois da praia, tome um banho de água doce, de preferência frio, e hidrate intensamente a pele
  • «Se já sofre de grandes alterações na sua pele (tipo feridas ou úlceras), não deve apanhar sol nas pernas, sendo aconselhável usar uma calça leve nos dias de maior calor», alerta o especialista

Sabia que

Existem formulações à base de castanha-da-índia e centelha asiática, bem como tisanas com ervas de efeito drenante, que contribuem para uma melhoria sintomática da Doença Venosa Crónica.


Derrames e Varizes


Especialista em angiologia e cirurgia vascular responde às questões mais comuns

Muitas pessoas sofrem de derrames e varizes. O que poderá inicialmente ser uma preocupação estética pode vir a tornar-se num problema de saúde sério.

Fique, por isso, atento aos sintomas e conheça mais sobre derrames e varizes, pela voz de José Daniel Menezes, especialista em angiologia e cirurgia vascular e membro da Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (SPACV).


Qual a diferença entre derrames e varizes?

São fórmulas distintas da mesma doença. Os derrames representam dilatações de capilares na derme, enquanto que as varizes são veias dilatadas e tortuosas de localização subcutânea, causadas por alterações da estrutura das suas paredes, que as tornam frágeis e, por isso, vulneráveis à influência de múltiplos factores de agravamento. Assim, os derrames são pequenos vasos sanguíneos (capilares), de tom vermelho, arroxeado ou azulado, com o que pequenos fios muito superficiais, enquanto que as varizes são dilatações venosas.

Quais são os principais sintomas dos derrames e varizes?

Os principais sintomas, tanto nos derrames como nas varizes, são a sensação de peso, cansaço e dores nas pernas. No entanto, não existe relação directa entre a gravidade da doença e a intensidade dos sintomas. Grandes varizes podem não ter sintomas e alguns derrames tê-los.

O que causa a doença e quais os factores e comportamentos de risco?

A principal causa corresponde a alterações congénitas da composição estrutural das paredes das veias que se tornam frágeis e de funcionamento deficiente, agravados por diversos factores, alguns deles comportamentais, entre os quais, o excesso de peso, calor, ortostatismo prolongado, sedentarismo, estrogéneo, gravidez ,etc..

Existe alguma componente hereditária à qual não se pode fugir?

A hereditariedade, ou seja os pais terem varizes (especialmente os dois), parece também ser um factor predisponente. Este facto apoia o factor genético.

Quais são os tratamentos mais eficazes actualmente?

Para os derrames, existem duas opções: a escleroterapia, mais conhecida como secagem, e a laserterapia. Na primeira, introduz-se dentro da veia uma substância química, que vai provocar a esclerose e a consequente «involução» do derrame, levando ao seu desaparecimento. A laserterapia funciona do mesmo modo, mas é feita através de uma reacção térmica.

Para as varizes, os melhores métodos de tratamento são a esclerose, em casos menos graves, e a cirurgia nos restantes casos, em que se faz a remoção total ou parcial da veia. Contudo, hoje recorre-se já, em alguns casos, à utilização do cateter electromagnético (VNUS) e ao laser endovascular. Os bons resultados já obtidos com estas técnicas prometem no futuro a sua ampla utilização e, para já, um escrutínio clínico comparando-os com a cirurgia convencional.

O carácter aparentemente menos traumático, o cariz ambulatório a elas associado e eventuais menores complicações pós-operatório parecem constituir algumas das suas vantagens. Tanto nas varizes como nos derrames é necessário não só combater os factores de agravamento, como também utilizar os medicamentos flebotónicos e compressão elástica (meia elástica) que aliviam os sintomas e ou controlam a progressão da doença .

Por onde passa o sangue quando uma determinada veia é retirada ou laqueada?

As veias superficiais não contribuem significativamente para o retorno venoso e muito menos quando estão «doentes», como é o caso das varizes, podendo, e devendo por isso, ser tratadas.

Que novos tratamentos estão em estudo?

Como disse, a fulguração endoluminal com cateter electromagnético (VNUS), o endolaser e a esclerose com espuma eco-guiada.


Que percentagem da população portuguesa sofre de varizes e em que faixa etária é prevalente?

 


A prevalência da doença venosa em todas as suas formas de apresentação das menos ás mais graves é maior nas mulheres (2/1) e varia com a idade podendo-se admitir que cerca de 20% do total da população adulta a apresente.

O pico da incidência da doença situa-se entre os 40 e 60 anos (cerca de 35% nas mulheres e 17% nos homens), sendo que a partir dos 15 já se verificam incidências altas, especialmente no sexo feminino, no qual existe preponderância das formas menos graves. As formas mais graves da doença aparecem mais tarde, entre os 50 e 60 anos, afectando de maneira idêntica os dois sexos.

Como se pode prevenir a doença?

Combatendo o sedentarismo, o excesso de peso e o excesso de calor é a regra básica para evitar o aparecimento e a evolução dos derrames e das varizes. Inscreva-se num ginásio, mas evite a sauna ou outros locais de muito calor. Os anticonceptivos orais podem também ser prejudiciais.

Que conselhos dá para aliviar os sintomas a quem tem varizes e como se pode impedir a progressão da doença?

Não engorde, faça exercício, evite o ortostatismo prologado e a exposição exagerada ao calor e consulte o seu médico que o aconselhará e medicará, enviando-o, em caso de necessidade, a um especialista.

Quando está em estado avançado, já não é possível corrigir o problema? Existe cura?

É sempre possível tratar as varizes, melhorar os sintomas e impedir a evolução para as formas mais graves, mas não é possível curar a insuficiência venosa crónica de forma definitiva.


© Órbitanews 2014