Whisky 4

Aromas mil

Voltando à questão anterior: quais os aromas básicos que podemos encontrar num whisky de malte e de onde provêm?

whisky aro


Para começar, há os próprios aromas à cevada que chamamos de “maltados”. Basta pensar no aroma de cerveja, do pão. São dos mais persistentes e tendem a emergir após outros se terem volatilizado.


Ainda ligados ao cereal, temos aromas “verdes” tipo vegetal como a “erva cortada”, o feno ou outros mais desagradáveis como os cárnicos - o chamado “suor de cavalo”.


Ou ainda o cartão molhado aos quais se junta o enxofre que é da mesma família. Tendem a ser removidos durante a destilação e a maturação.


Outro aroma típico aparece apenas nos whiskies que levaram fumo de turfa para secar o malte. São aromas a fumo, os chamados fenólicos que ocorrem quando a turfa é proveniente de zonas costeiras como Islay: as notas a iodo, medicinais, alcatrão e que se aprendem a gostar…mas nem todos!


Muito típicos são os aromas florais (violetas, flor-de-lis) ou a fruta fresca com nuances mais ácidas (limão, maçã, ananáz, laranja, maracujá) ou menos ácidas (pêra, pêssego, alperce, melão, manga). Surgem durante a fermentação e os florais são os mais voláteis. Podem surgir também durante a maturação em cascos nobres.


Depois, encontramos aromas resultantes de cascos de carvalho americano nos quais estagiou previamente "Bourbon whisky", os chamados “ex-Bourbon”: baunilha em primeiro lugar, mas também notas a côco e especiarias (pimenta ou o cravinho… que todos nós recordamos das idas ao dentista).


Quanto aos “ex-Sherry”, temos frutos secos (passas, amêndoas, avelãs) ou chamados do bosque (framboesas, ginja, amoras, mirtilos), especiarias (canela, noz moscada) ou ainda mel, caramelo, chocolate e café.


Por fim, nos grandes whiskies velhos, as oxidações a que estiveram sujeitos durante estágios prolongados convertem a fruta fresca em compota ou caramelizada, as madeiras aparecem em cambiantes exóticas como o cedro, eucalipto, sândalo, teca, o chocolate em praliné, o cereal em “bolo Inglês”, o caramelo em “creme queimado” ou ainda notas de couro, tabaco ou mesmo “ranço”, este último frequente em whiskies topo de gama.


Uma verdadeira caixa de surpresas, que se vão revelando à medida que se vai abrindo e se for tratado com a dignidade que merece.




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